Editorial

Outra vez

Domingo pela manhã os motoristas de táxi da praça de José Brandão tiveram um servicinho extra. Recolocar no lugar a pequena guarita que abriga o telefone do ponto, que estava jogada na via em frente à padaria, e limpar os cacos de vidro dela que estavam espalhados pelo chão. A peça foi arrancada, com o telefone, e jogada no trecho de estacionamento dos táxis durante aquela madrugada.

Um nada raro ato de vandalismo no cenário da cidade amedrontada com a sequência de furtos e roubos nas casas comerciais nas últimas semanas -mais de uma casa comercial já foi alvo de furto, roubo ou assalto, quatro, cinco vezes. O medo já faz comércio de atendimento a necessidades básicas, como farmácias e padarias, a anteciparam o horário de fechamento -em prejuízo do comércio e dos consumidores.

A onda de roubos motivou uma reunião na Associação Comercial terça-feira, com um número significativo de comerciantes, junto com representantes das polícias Militar e Civil, Ministério Público, prefeito. Segundo o presidente da entidade, Wilson Teixeira Júnior, os comerciantes estão "alarmados e ansiosos".

O que tem a ver o ato de vandalismo na praça de José Brandão, no domingo pela manhã, com os furtos e roubos na cidade? Para quem gosta de atomizar os fatos, isolar cada célula do contexto e tratá-la como se não pertencesse a um corpo, nada. Para quem quer ver o conjunto da obra, tudo.

É um assunto do qual o Acontece tem tratado exaustivamente ao longo de sua existência (violência, assaltos, vandalismo, perturbação da ordem pública). Em alguns casos, até de forma redundante, repetitiva, enfadonha, cansativa, como se não tivesse outra coisa para escrever e se só o jornal se sentisse incomodado.

Mas não é só o jornal. Os comerciantes estão alarmados. A sociedade está prostrada.


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