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Memórias: Termo da Vila
de Caeté
O secretário de Estado de Minas e Energia, Paulino Cícero, ao discursar
na tribuna da Câmara, terça-feira, quando recebeu o Diploma de Honra ao Mérito,
entusiasmou-se ao afirmar que “eu sou de Caeté”.
A afirmação foi feita após ele ler um trecho do capítulo “Termo da Vila
de Caeté”, do livro “Corografia Histórica da Província de Minas Gerais”, de
Raimundo José da Cunha Matos, de 1837.
Paulino ressaltou o Prata entre os pequenos distritos dependentes
da Vila de Caeté. “Minha São Domingos do Prata... Então, eu sou de Caeté...”,
disse.
A cópia do capítulo foi fornecido ao repórter do Caeté News pelo
secretário, logo após a cerimônia e revela a extensão de Caeté no início do
século passado.
O capítulo na íntegra é o seguinte:
IV.4
- TERMO DA VILA DE CAETÉ
117 - Termo da vila de Caeté. Está limitado ao norte pelo da vila do Sabará e vila do Príncipe; ao sul,
pelo de Mariana; a leste, com o da vila do Príncipe e Mariana; e a oeste, com o
de Pitangui. A sua superfície está calculada em ( . . . ) léguas quadradas, correspondendo ( . . . )
almas a cada uma delas. Ignora-se quem foi o primeiro descobridor deste
território. Uns dizem que fora Fernão Dias Pais; outros, Manoel de Borba Gato;
e outros, Antônio Rodrigues Arzão. Mas é
certo que o Sargento-Mor Leonardo Nardes foi quem manifestou o primeiro ouro destes sertões no ano de 1701. Ainda
conserva o mesmo nome de Caeté pelo qual era tratado pelos índios, por ser
coberto de uma vasta e densa mata, visto que a palavra caeté significa
"mato bravo" ou "bosque fechado".
118 - Vila de Caeté. Está situada em terreno plano, saudável e
aprazível, sobre um ribeiro que se perde no Rio Piracicaba.
Teve princípio no ano de 1701, em que o já mencionado Nardes e
Fulano Guerra, natural da vila ds Santos, descobriram ricos minerais de ouro
neste lugar, a que logo concorreu muito povo, que o fez de tal modo prosperar
que mereceu ser elevado à categoria de vila com o título de Vila Nova da
Rainha, por ordem do governador D. Brás Baltasar da Silveira, datada de 29 de
janeiro de 1714, a qual teve soberana confirmação participada pelo Conselho
Ultramarino no dia 9 de janeiro de 1715.
Os primeiros oficiais da Câmara desta vila foram: Juízes: o Coronel
Luiz do Couto e o Capitão Antônio do Rego da Silva; Vereadores : Lourenço
Henriques do Prado, Rui de Melo Coutinho, e o Capitão Bernardo Aranha; e
Procurador: o Capitão Hipólito de Barros. Tomaram posse em 12 de fevereiro de
1714, que lhe foi dada pelo Ouvidor do Sabará, Luís Botelho de Queirós. O
distrito desta vila passa pelo mais rico em ouro que se conhece em todo o
mundo.
Está 16 léguas distante da cidade de Ouro Preto, e 91 do Rio de
Janeiro. Tem igreja paroquial magnífica, 3 praças, 12 ruas, muitas travessas,
algumas fontes, Casa de Câmara e Prisão, 242 fogos (Nota
da Redação: por “fogo”, em todo o texto, entenda-se “casas”). No
território de Caeté, têm-se aclimatado muito bem as frutas da Europa.
Distrito próprio de Caeté. Tem 292 fogos e 1.871 almas (Nota da Redação: por “almas” entenda-se
habitantes”). Deste grande distrito paroquial dependem os pequenos que
se seguem.
118.1 - Morro Vermelho: arraial sobre a margem direita do Rio das
Velhas. Tem 202 fogos e 805 almas.
118.2 - Cuiabá. Tem 47 fogos e 278 almas.
118.3 - Ribeiro Comprido. Tem 78 fogos e 253 almas.
118.4 - Penha. Tem 168 fogos e 1.056 almas.
118.5 - Itambé: arraial sobre o rio deste nome. Tem 328 fogos e
2.062 almas.
119 - São Miguel de Piracicaba. Arraial situado na margem esquerda
do rio do mesmo nome. Dista 14 léguas da cidade do Ouro Preto, e do Rio de
Janeiro 92. Tem igreja paroquial e 194 fogos.
Distrito próprio do arraial. Tem 367
fogos e 2.374 almas.
Dependem deste grande distrito os
pequenos seguintes.
119.1 - Poço Grande, ou Roça Grande. Dista 4 léguas da paróquia.
Tem 184 fogos e 592 almas.
119.2 - Prata. Dista 5 léguas da paróquia. Tem 144 fogos e 1.153
almas .
119.3 -- Pacas. Tem 63 fogos e 530 almas.
119.4 - São José da Lagoa: arraial com 55 fogos. Dista 5 léguas da
paróquia. Tem 260 fogos e 1.342 almas.
119.5 - Antônio Dias Abaia~o: arraial na margem esquerda do Rio
Piracicaba com 101 fogos. Dista 10 léguas da paróquia. Tem 232 fogos e 1.419
almas.
119.6 - Santa Ana do Alfié ou Córrego de São João. Dista 10 léguas
da paróquia. Tem 154 fogos e 1.041 almas.
NOTA BENE. Alguns pequeno,s distritos da freguesia de São Miguel
estão situados no termo de Mariana, e são:
1°) Mombaça: junto às lagoas deste nome que se vazam no Rio
Mombaça, braço setentrional do Doce. Os seus ares são malignos. Também lhe
chamam Bombaça. Tem 38 fogos e 215 almas.
2 °) Seminário.
120 - São João do Morro Grande. Arraial assentado em terreno
elevado. Dista 12 léguas da cidade do Ouro Preto, e 90 do Rio de Janeiro. Tem
igreja paroquial e 86 fogos.
Distrito próprio do Morro Grande. Dista 5 léguas da cabeça do termo.
Tem 370 fogos e 1.490 almas.
Depende deste grande distrito o pequeno seguinte.
120.1 - Arraial de Cocais : sobre a margem esquerda do córrego do
mesmo nome, que entra pelo mesmo lado no Rio de Santa Bárbara, ramo principal
do Piracicaba. Tem 239 fogos e 1.864 almas .
O arraial do Morro Grande também tem o nome do Presídio de São João
do Morro Grande.
121 - Santa Bárbara. Arraial situado na margem direita do Rio deste
nome, braço do Piracicaba, distante 11 léguas da cidade do Ouro Preto, e 89
do, Rio de Janeiro. Tem igreja paroquial, e 255 fogos.
Distrito próprio do arraial. Dista 8 léguas da cabeça do termo. Tem
330 fogos e 1.830 almas.
Dependem deste grande distrito os pequenos que se seguem.
121 .l - Arraial do Brumado : na margem direita do Rio de Santa
Bárbara. Tem 173 fogos e 1.073 almas.
121.2 - São Gonçalo do Tabor. Tem 77 fogos e 419 almas.
121.3 - Rio São Francisco. Tem 157 fogos e 922 almas.
121.4 - Rio Abaixo. Tem 214 fogos e 1.100 almas.
121.5 - Itabira do Mato Dentro: arraial com 263 fogos. Tem 450
fogos e 4.333 almas.
121.6 - Tanque. Tem 174 fogos e 1.861 almas.
121.7 - Girão e Tanque. Tem 160 fogos e 2.032 almas.
121.8 - Rio Abaixo. Este distrito está na paróquia de São
Bartolomeu. Tem 64 fogos e 447 almas.
122 - Itabira do Mato Dentro. Este arraial, que nos orçamentos das
despesas da Fazenda Nacional, que têm sido apresentados ao corpo legislativo,
aparece como paróquia, não se acha designado como tal no mapa manuscrito original que tenho à vista assinado pelo Bispo de
Mariana; e também não se acha, como tal paróquia, designado no projeto de
organização civil e eclesiástica da província em 1826, e que está impresso.
Neste plano feito pelo Secretário do Governo, de quem já falei, acha-se o
arraial de Itabira do Mato Dentro, na
Comarca 3ª Termo 5ª Freguesia 44. Esta paróquia é a de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara, do
termo da vila de Caeté. Nas Memórias de Monsenhor Pizarro, acha-se com efeito
designado o arraial de Itabira como filial da sobredita Freguesia de Santo Antônio, donde
se segue que, ou estão errados todos os papéis apresentados ao corpo
legislativo desde o ano de 1826 até agora,
ou o Bispo Diocesano, o Secretário do Governo (autor do Plano de Divisão Civil e
Eclesiástica) e Monsenhor Pizarro ignoram
a existência da igreja paroquial de Santo
Antônio de Itabira do Mato Dentro, do termo da
vila de Caeté; ou finalmente houve criação desta paróquia depois do ano de
1826, por ordem do governo e sem conhecimento do Corpo Legislativo.
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