Reportagens

Capa de Reportagens

 

Visite também

 

Serra da Piedade

 

Morro Vermelho

 

Jornal Acontece



 

 

Recomende esta página para alguém que se interessa por este assunto

Anos Dourados

 

Alamos revive os anos 60

*paulo antônio

Quem passasse pelas proximidades do Êxtase no domingo pela manhã teria a sensação de

José Antônio Leão

Miguel

Timba
Dandel

 que uma nova banda estava pronta e afinada para estrear na cidade.

Os acordes de guitarra e o som da bateria, acompanhavam um repertório basicamente dos sucessos que rolam pelas FMs. Não todos, claro. Basicamente Beatles. "Hey Judy, don’t make it bad..."

Não era uma banda e nem vai estrear. Era o conjunto Álamos que ensaiava para mais uma de suas centenas de apresentações, animando bailes jovens pelos clubes Sac, Funcionários, Arca e em muitas cidades do interior de Minas, ao longo de efervescentes dez anos, entre 1967 e 1977.

A apresentação vai acontecer neste sábado (12/08) no Baile da Sac, incorporado pela programação do Caeteense Ausente.

O grupo é o mesmo original: Tonidândel (guitarra), Miguel (contrabaixo), José Antônio (base e teclado) e Timba (bateria). As músicas são as mesmas: Beatles, como plataforma, Carlos Santana. E o entusiasmo é somado pela voz da nova geração, solta por Bruno (19 anos, guitarra e solo vocal), Fabrício (vocal, ritmo) e Henrique (15 anos, ritmo).

Os três são filhos de dois dos titulares do conjunto, José Antônio e Tonidândel. Uma reprodução natural para o Álamos, gerados pelos Ritmistas Boys e que plantaram o 4ª Dimensão (Tatá, Ernane, Marco e Elizeu, piolhos dos ensaios do Álamos na sede da Banda).

O conjunto tocou, com o mesmo grupo, entre 67 e 77. "O Som Forte das Montanhas" ecoou pela última vez, como compromisso oficial, no reveilon de 78/78, em Vespasiano. Junto com as guitarras e bateria foi arquivado um repertório de Beatles, Jorge Ben, Tim Maia, Raul Seixas. "Mas tocamos muita barangada também", admite Miguel.

Nostalgia? Que nada. Entre 1977, quando o Alamos fechou oficialmente sua agenda e o 12 de agosto de 2000, pouco ou nada de alterou além da troca do disco de vinil pelo CD e o ingresso do rock mais comportado. Parte do espaço nas rádios foi ocupado pelo forró do nordeste e a velha música sertaneja que já se acampava em São Paulo e se atreve agora, por falta de mais criatividade, a incorporar "100, 120, 150 km/h" da Jovem Guarda de Roberto Carlos.

O Alamos é um dos ícones locais – ao lado de The Seven Boys, Elétrons, Átomos –, de uma geração de rompeu com as amarras do passado e criou um novo modo de vida, nos revolucionários anos 60 e 70.

No mundo rolavam Beatles, Rollings Stones, Credence; no Brasil, o espectro variava da alienante Jovem Guarda das tardes de domingo aos comprometidos Tropicália de Caetano e Gil; o rock de Raul Seixas, Mutantes, Secos e Molhados (que bateram Roberto Carlos na vendagem de discos em 73) e os festivais.

Ali, aos olhos e com as mãos daquela geração, rolou o avanço que a humanidade não havia feito em mil anos. O jeans unissex, a minissaia mostrando a calcinha com a miniblusa exibindo os seios, o biquini da Ana Maria de bolinha amarelinha que mal cabia na palma da mão, a cruzada anti-ianque, a luta pela universalização do ensino, o anticoncepcional, o nudismo, o feminismo...

A ousadia da moda feminina casava com irreverência dos trajes masculinos, calças com largas bocas-de-sino, cordão, anel, camisas estampadas e cheias de cores. O suficiente para uma suspeita conservadora de que os homens estavam se efeminando...

Beatles, Roberto Carlos, Gil, Raul Seixas, Tim Maia continuam rolando na parada, enquanto as nova fornada de adolescentes está adestrada pela lavagem cerebral da ditatura militar, pelos excessos high tech, mil canais de TV, milhões de cores e movimentos dos games, mais alienantes que as líricas e, às vezes, sonolentas músicas de Martinha, Vanderléia, Jerry Adriani, Roberto Carlos.

A música avançou. Do vinil para o CD. A moda evoluiu nos vinte e poucos anos, com o uso masculino do brinquinho. E tudo o que surgiu de novo foi o aparelho de Fax – o resto é evolução. Ponto.

O baile na Sac amanhã tem o dom de mostrar uma doce sequência evolutiva a partir da transformação dos loucos anos dourados. Entram Alamos (60/70), 4ª Dimensão (80) e Ilton Urias e Banda (90).

Entra o que foi. Termina com o que continua sendo. E, definitivamente, o sonho não acabou...

Voltar ao topo

©Caete News - Todos os direitos reservados