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O fechamento da Barbará

Jairo Bahia*

Muito se tem falado durante esta campanha eleitoral sobre o fechamento da Barbará. Busca-se culpados ou um culpado maior e o alvo principal tem sido o ex-prefeito Fernando de Castro.

Culpar o ex-prefeito pela perda da nossa indústria é no mínimo injusto e não representa a verdade.

Trabalhei durante 30 anos na empresa, que ainda era Ferro Brasileiro, onde fui chefe da seção de Faturamento. Minha seção era a responsável pela emissão de faturas e notas fiscais e pelo controle geral de vendas em todo o Brasil, nos diversos depósitos espalhados pelo país.

Acompanhei e participei do crescimento da indústria, nos áureos tempos de crescimento contínuo da produção e das vendas. E, depois, já aposentado, acompanhei sua queda melancólica.

Como ex-empregado da CFB, tenho minha opinião pessoal sobre as razões do fechamento da Barbará. Para mim, o maior responsável pelo fechamento da empresa foi o PVC.

É inegável que os tubos e peças de PVC provocaram uma revolução industrial. O plástico invadiu as fábricas, as montadoras, o serviço público de saneamento básico e a indústria de construção civil.

Enquanto o PVC ocupava um espaço cada vez maior, o ferro fundido foi sendo relegado a segundo plano. Me lembro de uma reunião realizada na década de 70, quando o então diretor industrial, Dr. Roberto Paes Leme, alertou os chefes de seção que o futuro da empresa era sombrio e manifestou sua idéia de partir para a produção de chapas de aço, diversificando a produção.

Os tubos continuariam sendo fabricados, mas somente por encomenda. Afirmou que levaria sua idéia à direção geral da CFB, objetivando colocá-la em prática. Mas logo depois, o Dr. Roberto faleceu vítima de um colapso cardíaco e sua idéia morreu junto com ele. O tempo, no entanto, provou que o Dr. Roberto estava certo.

Posteriormente, em 78, estive em Governador Valadares, visitando o depósito da CFB, que era dirigido pelo saudoso Geraldo Ponciano. A PVC havia aberto um depósito na cidade e havia propagandas por toda Valadares. Eu e o Ponciano resolvemos visitar o depósito da PVC. Mesmo sendo concorrentes, fomos muito bem recebidos. O depósito era muito maior que o nosso e muito bem instalado.

Afirmaram-nos que buscariam seu espaço numa concorrência leal. Eu e o Ponciano voltamos desanimados. Não demorou muito, ganharam o mercado da cidade, se expandiram para o Estado do Espírito Santo e o depósito da CFB foi fechado.

Quando me aposentei, em abril de 1982, a CFB começava a acusar queda de vendas. E a queda continuou no segundo semestre e no final do ano (dezembro de 82) a CFB dispensou 600 empregados, deixando alarmada a população. Depois vieram outras demissões, quedas de vendas e redução da produção.

Fui chamado por Fernando para trabalhar na Prefeitura e pude sentir a sua preocupação com a situação da CFB. Várias vezes foi ao Rio, conversar com os diretores da empresa, Dr. Charneaux, Dr. Sertã e Dr. Rosito, pedindo pela paralisação das demissões e pela manutenção da indústria. Buscou apoio político junto ao então governador Tancredo Neves e através da Copasa. Mas foi tudo em vão.

A empresa continuou definhando. Algum tempo depois, já na gestão de Jair de Carvalho, fui com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, José Américo, pedir ao prefeito sua participação na luta pela sobrevivência da empresa.

Jair foi franco. Disse que poderia escrever, pedir, mas achava que de nada valeriam seus apelos se a direção decidisse fechar. "É uma indústria privada e a decisão de continuar ou fechar só depende deles", disse Jair e concluiu: "Eles querem é lucro e se não tiverem, infelizmente vão fechar as portas".

O José Américo não gostou do que ouviu, mas Jair estava certo. O drama continuou e nada mudou quando a CFB foi vendida à Barbará. A decadência continuou até chegar ao desenlace em 31/10/95. A Barbará fechou suas portas para tristeza geral. De nada valeu a luta do Sindicato e de lideranças políticas.

Esta é a história que eu conheço sobre o fechamento da Barbará. Não houve culpados ou um culpado maior, como alguns dizem. Nem Fernando, nem Jair ou outra liderança política. Todos tentaram e pediram pela manutenção da empresa. Mas a direção tomou sua decisão e tinha autonomia para tal.

Não sou economista ou técnico em ciências de mercado industrial. Mas pelo que sei, ouvindo, lendo e observando, considero como os grandes vilões desta história os tubos e conexões de PVC. A revolução industrial provocada pelos produtos de plástico enterraram o ferro fundido.

Não foi Fernando, não foi Jair, nem ninguém o culpado pelo fechamento da Barbará. O problema foi de mercado e de evolução industrial. Nada mais.

*Jairo é cronista e ex-empregado aposentado da Cia. Ferro Brasileiro (Barbará)

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