Carnaval e futebol

Até que eu queria tirar uma folga esta tarde. Fui pra frente da televisão, onde consegui ficar dez minutos, se tanto! Estava “vendo” o Caldeirão do Huck, cochilando. Ele anuncia a eleição da Musa do Carnaval. Começa apresentando os jurados. Um atror, três estilista e uma jornalista de modas. Entra a primeira candidata e vejo que ela está fantasiada mesmo. É carnaval mesmo. E ninguém no júri que entende de carnaval. Saio da sala e venho trabalhar que é melhor.
Na televisão aberta, estou voltando a ficar viciado em futebol. É a única coisa que dá pra ver (pra ouvir eu costumo ligar o rádio, porque é duro ouvir os locutores-radialistas-da-televisão. Gente, até o Luciano do Vale. Volta a ver uma transmissão do Luciano depois de alguns anos. Eu parei de acompanhar ele, e o padrão dele caiu pacas. Parece que ele fica ligado no marketing e é o que menos vê o jogo. Nem estou dizendo do acompanhando do jogo que cada time está desenvolvendo, mas ver o lance mesmo.
Porque eu te dizer que agora estou me limitando a ver futebol, você pode me chamar de alienado. E estou levando uma boa tendência para isso, para a alienação. Cansei. Mas se você acompanhar o tratamento das notícias do futebol na TV, você vai entender um pouco do Brasil e do comportamento da imprensa. O bairrismo, as análises tendenciosas…
Hoje vi uma chamada do jornal de esportes da Record. Na falta de notícias, quando estão rolando só os campeonatos regionais, o prato ainda é a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Como na televisão a imagem e movimento são sempre importante, a chamada vem acompanhada. De quê? Do lance do jogador que perdeu o pênalti e que é do São Paulo… Não era pra estar lá a imagem do jogador do Cruzeiro (eu sou Galo….) que converteu o último pênalti e correu para o abraço do título?!
Tá bem… Perder o pênalti foi o inusitado. Os “meninos” deram uma aula de cobrança de pênaltis. Dez cobranças, todas convertidas.
Fora o bairrismo e as análises tendenciosas, a gente fica com a impressão de que a maior parte do pessoa que atua no jornalismo esportivo é também empresário de jogador. Hoje os contraventores, empresas, técnicos, jornalistas, todo mundo compra “ação” de jogador. Quando o cara é vendido, o rateio é violento….
Esta impressão me fica ao acompanhar o Brasil no Sub-20, transmitido pela Band. Putz… Só tem Alexandre Pato na seleção. Ele vai ajudar a defesa e tira uma boa…. Meia hora depois o Tchô faz um gol e o mérito é do Pato, que começou a jogada na bola que ele tirou meia hora atrás. Teve um lance genial do lateral do Brasil que ficou como sendo o Pato, embora tivesse sido reprisado umas três vezes. Ninguém corrigiu. Claro, um lance daquele só poderia ser do Pato, de mais ninguém. Ninguém, na verdade, merece…
Mas vale um parêntese honroso. Os comentaristas de árbitros, sempre ex-juízes, dão uma aula. Embora a locução fique cada vez pior, parece que a cada dia mais locutor de rádio vai transmitir jogo na televisão, as avaliações de arbitragens evoluem. Há algum tempo, ficava-se sempre a impressão de que o corporativismo dominava. Parecia chato um ex-árbitro criticando árbitro. Hoje as análises são mais soltas, mais fiéis. Parece que os comentaristas se deram conta que eles estão ali falando para milhões de torcedores que estão vendo o jogo e a tentativa de se desculpar pelo árbitro pelos erros cometidos em campo torna o comentarista ridículo -uma preocupação que os locutores não têm.
Acho genial o comentarista de árbitro reconhecer um erro dele próprio. Márcio Rezende (na Globo Minas) domingo teve esta grandeza. Ao rever um lance que ele acabara de comentar, retirou o comentário que fez. “Não, errei”, consertou ele. Uma postura que não é rara nos comentaristas de árbitros.
Os comentaristas de árbitros não escondem o óbvio: que eles têm uma condição privilegiada em relação ao árbitro que está em campo. O lance pode ser revisto, de vários ângulos. O juiz, por sua vez, decide sumariamente pelo que ele “viu” -da distância e posição que ele está, em relação à ocorrência.
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