Causos

Tanios Syrio*

A defunta que não morreu

Como faço todos os anos, no sábado, Dia dos Mortos, estava rezando ao lado da sepultura do meu pai Elias e meu irmão Laluce.
Certo de que eles estavam num lugar privilegiado, pedia-lhes orientação e ajuda para sempre trilhar o bom caminho.

De repente, o Marreta , com um ancinho na mão, me grita, com a feição meio assim que branca e meio assim que apavorada: - Tem um osso aqui em cima!
Corri pra lá e constatei que realmente era um osso humano; fêmur.
Orientei-lhe no que ele já sabia, chamar o coveiro, pois na verdade eu já era testemunha de qualquer insinuação sobre violação de sepultura.
Este fato coincide com o “causo” de uma mulher que aterrorizava a criançada há um tempo atrás, onde 18 horas já era tarde pra se dormir.
Os adultos contavam como verídico, e se eles tinham medo, imaginem nós.
Contavam, que uma mulher de nome Manoela, foi enterrada no Cemitério do Rosário. Noite adentro e até de madrugada, ouviam-se gritos alucinados e apavorantes de mulher, vindo por de trás do muro do cemitério, mas ninguém tinha coragem de ver o que estava acontecendo. Pensavam em assombração.
Os gritos foram, diminuindo até cessarem de vez.
No dia seguinte, o Zé Coveiro, chegou pra trabalhar e viu na tumba da Manoela, aquela mulher toda descabelada, a terra revolta, o túmulo aberto e o caixão em pedaços. As autoridades constataram que a mulher fora enterrada viva e todo aquele agito, gritos e urros, eram na verdade sua luta para sair daquele lugar que até então não era seu. Tudo em vão!
Dizem que a partir daí, começou a apavorante história de uma mulher que pela noite adentro, saia do Cemitério, passava em frente o Bar do Tunico, subia a Rua Direita, parava em frente o Cartório, talvez pra protestar pelo registro do óbito indevido, seguia e parava na Matriz de N.Sra do Bonsucesso, meio que rezando, descia a Rua Governador Valadares e voltava ao local de partida.
Muitos diziam que viram e outros que não viram também afirmavam, fazendo com que o de boca em boca desse um ar de verdade e botasse todos apavorados.
Eu, até bem pouco tempo, não acreditava nessas lorotas, mas o papo que surge no Salão do Cici Barbeiro e no Bar do Tunico, é que uma Comitiva foi atrás de Dona Clélia Carvalho, pedindo-lhe um São Judas Tadeu bem grande ali na Pracinha, pra que ele além de nos abençoar como de praxe, ficasse de olho e abençoasse também aquela alma penada para que ela descanse em paz.
Daí então, estou com minhas barbas de molho!!!!!!
14-12-06 às 19:50:03 - Categoria: General

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Tanios Syrio é bancário aposentado, autor do livro "Causos Para Uma Santa Causa e provedor da Santa Casa de Caeté