Causos
Tanios Syrio*
Jump to navigation
Saída à Francesa
Nos idos anos 50, a Usina Gorceix tinha em sua direção predominância francesa. Eram pessoas de hábitos diferentes, retraídos, mas de extensa bondade. Como todo europeu, tratavam a todos com muita educação e sempre dispostos a ajudar.
Mas a comunicação era um pouco falha. Eles tinham o hábito de trocar o masculino pelo feminino. Assim: - Você é muito bonzinha; Eu tomar um jarra de café ; Eu vou comer um salsicha.
E o emprego lá era cobiçado por todos.
O Sô Frank, meu sogro, já estava lá. Era o homem de confiança do Doutor Mathieu. Era ele quem olhava e arrumava a casa, cuidava do jardim e da horta, dos pássaros e tudo mais. Seu cunhado, o Durval de Nica, lá de Nova Lima, vivia lhe aporrinhando o saco pra indicar-lhe à um emprego na Usina de Caeté.
Surgida a chance, rara, e lá vai o Durval pra entrevista:
- Ó Doutor... Eu sei fazer de tudo um pouco, mas sou bom mesmo é na cozinha. Servi o Exército na 2ª Guerra e fui o cozinheiro do pelotão lá na Itália.
Bem avaliado, lá vai o Durval com um bilhete de recomendação prô Sô Pasquale, maitre da Casa de Hóspedes, conhecida como Cassino, na época. Como o Sô Pascoal (Brasil) tava demorando, o Durval resolveu ler o bilhete. E tava escrito:
- Cara Pasquale, apresento-lhe meu amiga Durval, pra você experimentar no cuzinho. Assinado: Mathieu.
O Durval ficou indignado:
- Me chamou de mulher e ainda me manda fazer aquilo? Tô fora!!!
Sumiu pra Nova Lima, ficou inimigo do meu sogro por muito tempo e quando se falava em Caeté e Francês, mudava logo de assunto!
04-11-06 às 20:17:30 -
Categoria:
General
Outras notícias mais recentes desta seção
Tanios Syrio é bancário aposentado, autor do livro "Causos Para Uma Santa Causa e provedor da Santa Casa de Caeté