Causos
Tanios Syrio*
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A Volta do Maestro
O Argemiro Hilário, nosso dileto Maestro, conhecido pela sua competência em lidar com veículos automotores, pois pelo olhar, pelo ouvido ou mexendo, desvenda qualquer defeito.
Ainda rapaz, morando nas imediações da Ferro Brasileiro, ficava o dia inteiro apreciando e até mesmo namorando os caminhões que por ali passavam.
Dizem que esta sua competência se fez pelo aprendizado com Sô Flausino Glicério e com Sô João Morais.
Mas o Argemiro tinha certa predileção pelos caminhões FNM (ele pronunciava FÊNÊMÊ) e o amor era tanto que ele mandou gravar no braço direito as iniciais FNM com ácido muriático. E era apreciado pelos jovens, revolucionário para os padrões da época.
Grande motorista, certo dia acabou pegando carona e foi trabalhar na Transamazônica. Cumprida a missão, voltou e ao chegar no Mundéus, o Ônibus furou o pneu e ao descer em frente ao Coquinho, deparou com sua turma de amigos e foi aquela festa.
Sô Zico, esfregava as mãos de alegria pois só de coquinho de cachaça já tinha ido mais de 10.
Passado algum tempo, o viajante pede ao seu primo Jurandir Pimenta pra levar suas malas até sua casa e avisar sua mãe Dona Corina e sua noiva Loló que havia chegado e que estava tudo bem.
O Jurandir, que não era flor que se cheirasse, prontamente atendeu o amigo.
Bateu a porta da casa e quando Dona Corina atendeu, ele falou que estava entregando as malas com os despojos do seu filho Argemiro, que havia desaparecido na selva e que eram grandes as chances de ele ter virado comida de onça, e que ele ,Jurandir, sentia muito e que a saudade já o maltratava etc.
O mundo desabou para a família; ficaram todos atônitos, bobos, parados, sem saber o que fazer... pra onde ir. Dona Corina desmaiou; Loló pedia amparo pra Dona Zilica; Luiz de Zenóbio queria montar caravana com Paulo, Lucindo, Petrônio, Lucas Bezerro e Quirino Testão pra ir caçar a onça.
Passado algum tempo, chega o Argemiro, todo alegre e festivo em casa, batendo a porta, e chamando: Manhê.. Loló, Meu amor.
A família toda desnorteada, todos inconsoláveis, foram abrir a porta pra ver quem era aquele louco gritando.
Quando abrem a porta, foi aquele susto; aquela confusão; choro de riso, riso de choro.
Argemiro sem saber o que estava acontecendo e Jurandir lá da esquina, meio que ressabiado e meio gratificado, sentindo que fez sua parte de anjo da guarda.
As boas vindas foram bem maiores do que o Argemiro esperava.
Ficou espantado com a grande recepção e chorou copiosamente de emoção.
04-11-06 às 20:04:41 -
Categoria:
General
Tanios Syrio é bancário aposentado, autor do livro "Causos Para Uma Santa Causa e provedor da Santa Casa de Caeté