Preconceitos

Eximir-se do preconceito é algo que muitos indivíduos gostariam para que se libertassem, pois a visão preconceituosa conecta, prende e paralisa. Pessoas deixam de se envolver junto a outras, deixam de tirar proveito de várias situações, não crescem, não evoluem e não expandem por preconceito. E geralmente após algum tempo, percebem o quanto poderiam ter pensado, agido e sentido de forma diferente, pois como é dito na linguagem popular, o mundo dá voltas e a vida sempre trás incríveis lições. Os papéis se invertem, e somente então as visões se ampliam.
Posturas preconceituosas impedem o Processo de Individuação, que segundo a Psicologia Junguiana significa “um processo de tornar-se a se mesmo, que leva a pessoa à realização máxima de seus potenciais inatos. Individuação não significa auto-realização egoísta; pelo contrário, liga o ser humano com sua camada profunda fazendo com que leve a sério a interligação com relações socioculturais. O processo coincide com a crescente conscientização sobre si mesmo, o mundo e os efeitos recíprocos correspondentes”. C G. Jung, que “considerava a vida um processo contínuo que exige de tempos em tempos passos de amadurecimento e de adaptação, viu a psique humana sob diversos aspectos, conceitualizando-a de forma correspondente. Desse ponto de vista, o indivíduo sempre é mais do que seu Eu consciente. Ter consciência dos próprios aspectos inconscientes, integrando-os aos poucos, significa fazer jus às exigências da individuação, mas também significa direcionar sua vida final para o eterno vir a ser” (Ammann, Ruth, A Terapia do Jogo de Areia).
O preconceito impede uma fluência dinâmica do processo de individuação na medida em que não permite ao indivíduo vivenciar certas experiências que estão em sua verdadeira essência. Ou então, o que é mais complicado para ser resolvido, quando o preconceito é inconsciente, a pessoa é preconceituosa, mas não sabe, não percebe, não admite, não consegue se ver assim. Exemplos bíblicos, mitológicos, contos de fadas, histórias arquetípicas mostram essa realidade. Arquétipos são ”padrões de representação psicológica . Da mesma forma que existem os instintos, existem predisposições inatas na raça humana para construir representações semelhantes “(Boechat, Paula – Terapia Familiar). É fundamental a percepção de que estamos em interconectividade uns com os outros e com o Todo.
No livro Meditando com os Anjos, a interconectividade é assim expressa “Os fios da vida estão unidos num único tecido. Tudo o que vive está interligado numa teia na qual os significados de cada gesto, pensamento e sentimento vibram e tocam tudo e todos. O que está conectado na Terra é um reflexo das conexões feitas no Céu. Os vínculos de cuidado e respeito que formamos com cada ser criam um tecido de amor coerente e forte. A síntese de nossas diferenças e da bela diversidade que formamos é a realidade da nossa interconectividade”. Como diz o ditado popular: “Quem tem telhado de vidro não joga pedra no do vizinho”...
26-08-10 - 17:18:44 -

A Essência da Meditação

A meditação consiste nas paradas das ondas mentais. Mas como assim? Poderiam se perguntar vários leitores. As repostas emergem de grandes nomes da história da humanidade. Segundo o filósofo, astrônomo e matemático Pitágoras: “para meditar com proveito é preciso, na verdade, que a atenção não seja dispensada pelo ruído e pela agitação. A voz da sabedoria só pode ser ouvida na calma e no recolhimento”.
Para Mahatma Gandhi, líder político e espiritual da Índia: “antes que o homem possa ouvir a Voz interna, tem que passar por um longo e árduo tirocínio de aprendizagem: e, quando a Voz fala, desaparece qualquer dúvida”. Nas palavras do escritor, dramaturgo, crítico literário Oscar Wilde, : “escuta-me, ó homem! Tens tudo dentro de ti próprio. No mais íntimo do teu ser residem faculdades que Deus te deu para que te sirvas delas”. Disse Albert Einstein: “penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio – eis que a verdade se me revela”.
Martin Claret, empresário, editor e jornalista: “a verdadeira meditação Alfa-M, é um estado dinâmico de não mente. É a perfeita unificação da parte com o todo, do vivo com a vida, do finito com o infinito”. Para James Allen: “à medida que conseguirdes dominar os vossos impulsos e pensamentos, percebereis no vosso interior uma força silenciosa, que ali se vai desenvolvendo, e sentireis tranqüilidade e vigor que não vos abandonarão jamais.”
Por fim, Mário Schenberg diz: “O homem precisa saber que ele tem em si mesmo, a capacidade de descobrir, sem revelação de ordem sobrenatural, os meios de realizar as exigências de Paz e Amor”. Talvez esteja faltando ao mundo moderno o aprendizado de que as respostas estão “DENTRO”.
Estamos presenciando frequentes absurdos, explosões de violências. Mas quais os valores estão sendo ensinados às novas gerações? Sobrevivam! Ganhem dinheiro! O dinheiro passa a não ser conseqüência e sim a causa de tudo. Essa é uma cultura que vem ganhando mais intensidade a cada época, pela força de consumir e adquirir, e ter que ter.... Todo esse contexto distancia o ser humano cada vez mais da essência verdadeira que está dentro dele. Ele é ensinado a olhar apenas para fora. Para o mundo, não para dentro de si, onde estão os verdadeiros ensinamentos, e a saída para tanta violência.
Não há problema em adquirir os bens, em manter um bom nível de vida, condição de acesso à educação, à saúde, ao lazer, etc. O problema não é o progresso, e sim quando verdadeiras vocações profissionais são colocadas em segundo plano favorecendo as profissões mais rentáveis, e inúmeros são os exemplos similares a esse. A questão é quando o mundo interno é abafado e desconsiderado em nome do mundo externo. O equilíbrio entre os dois é o caminho. O mundo está um lugar violento e todos se perguntam: “O que está acontecendo?” Mas as respostas estão aí, dadas por grandes nomes da história da humanidade...
12-08-10 - 20:00:39 -

A Fase da Menopausa

Nosso artigo de hoje convida à reflexão sobre uma fase em que a mulher vivencia variadas mudanças. Estudiosa do assunto, Dinah Rodrigues, Psicóloga e Professora de Yoga, escreveu o livro “Yoga Terapia Hormonal para Menopausa”. Ela criou técnicas específicas para trabalhar as mulheres nessa etapa da vida. Nosso artigo se baseará em partes interessantes do livro citado. A menopausa é uma época em que várias e expressivas transformações ocorrem no corpo e na vida da mulher (no homem o período correspondente é a andropausa, mas que acontece logicamente de forma diferente da mulher).
Nas palavras de Dinah Rodrigues “ a menopausa é uma época de mudanças fisiológicas e emocionais que requer cuidados especiais. Da mesma forma que cuidamos de um adolescente em fase de crescimento, dando-lhe uma alimentação certa, orientando para que durma tantas horas por dia, estude, divirta-se e pratique algum esporte, assim também a mulher em climatério deve criar as condições necessárias para equilibrar seu organismo nessa fase de adaptação para continuar com saúde e vitalidade.
A menopausa pode ser uma passagem tranquila e sem problemas. Vejamos o que acontece: A menopausa, por meio de mudanças metabólicas, pode modificar as nutricionais do organismo, causar aumento de peso e perda de massa muscular e óssea. Sintomas como instabilidade emocional, desânimo, apatia e depressão e, por outro lado, mau humor, angústia, crises de estresse e pânico são freqüentes na menopausa, causando sofrimento e chegando a abalar a saúde. O acompanhamento médico é, portanto, indispensável para uma avaliação periódica de nossa saúde nessa fase. Além disso, a menopausa acontece numa época emocionalmente difícil.
Geralmente ela coincide com a época em que os filhos tornam-se mais independentes, vão estudar ou trabalhar em outra cidade, e o casal, que antes unia forças para manter a família e orientá-la já não é mais solicitado. Surge então, principalmente para a mulher, um grande vazio, uma falta de finalidade e até um sentimento de rejeição. É a Síndrome do Ninho Vazio que, em que pessoas emocionalmente mais frágeis, pode levar à depressão. “ Existem variações na intensidade das transformações advindas da menopausa, algumas são mais severas, outras mais brandas.
Uma questão polêmica é o tratamento à base de hormônios. “Tomar ou não hormônios depende da gravidade do estado de cada uma , mas também de uma opção individual. Há outros tratamentos que podem também ser muito eficazes. O importante é destinar um olhar atento à fase e procurar profissionais adequados (Médicos Alopatas, Homeopatas, Medicina Ayurveda, Fitoterápica, etc., além de outros tratamentos como Yoga Terapia Hormonal, Acupuntura, e a tradicional Psicologia). O primeiro passo é aceitar a fase e saber que existem vantagens que podem ser exploradas também é algo a ser considerado. Por exemplo, essa uma fase em que a mulher possui mais tempo para cuidar de si, pode fazer caminhadas, participar de grupos, fazer coisas que sempre quis, mas nunca teve tempo e oportunidade. Pode estudar, ler, relax mais. Já possui mais maturidade e sabedoria para conseguir aproveitar as belezas da natureza, e outras que apenas a maturidade proporciona uma percepção melhor.
Iniciaremos em agosto, no Núcleo de Yoga Sat Sanga (dirigido pela Mestre Maria Cândida) aulas de Yoga Terapia Hormonal para Menopausa. As aulas também podem ser freqüentadas por pessoas com problemas de TPM e infertilidade. As interessadas podem fazer contato pelo telefone 3651-1908. As aulas serão ministradas por mim, Daniele, e será um prazer receber as pessoas que buscam crescimento, evolução, melhorias contínuas em suas vidas.
15-07-10 - 19:08:41 -

Mande embora a ansiedade exagerada


Ansiedade é algo desagradável, incômodo, gera sofrimento. Ocorre as vezes sem um objeto aparentemente definido, e traz sensação de insegurança que parece surgir do nada. Ou surge diante de situação definida, por exemplo uma prova, etc.  Na verdade a ansiedade emerge quando, na infância, a criança inicia o processo de inserção na cultura e progressivamente percebe que não poderá seguir todos os seus  impulsos e instintos. Terá que controlá-los e dominá-los em troca de sua subsistência física e emocional. Aos poucos percebe vários de seus limites. Por exemplo ao tocar o fogo irá se queimar. Ao pular de um local alto, irá machucar. Se não cumprir as expectativas dos pais poderá perder o amor deles, e assim por diante. 
A ansiedade é uma reação a algum tipo de ameaça sentida pelo sujeito. Da mesma forma que a criança, diante da possibilidade de perder o amor dos pais ou da obrigação de submeter a regras sociais e culturais que contrapõe o seu desejo se sente ansiosa, isto se repete com o adulto. Por um lado a ansiedade castiga, maltrata e prejudica o indivíduo. Por outro, o impulsiona a agir no sentido de realizar seus objetivos para ficar livre daquele sentimento e ver sua vontade realizada. Como a expectativa gera ansiedade, existe a tendência de resolver a questão que incomoda. Este é um aspecto positivo. O problema é quando perde-se o controle das emoções e a ansiedade fica tão intensa que ao invés de impulsionar, paralisa a pessoa, causa imenso sofrimento e atrapalha o desenvolvimento de sua vida. O medo e a ansiedade caminham muito próximos. Medo de errar, de perder o amor de alguém, de perder o emprego, o status, a liberdade, de não dar conta diante de uma determinada situação, tudo isso gera ansiedade.
As doenças mentais, em grande parte, vêm acompanhadas pela ansiedade em nível patológico. Por exemplo a fobia, síndrome do pânico, neuroses obsessivas, depressões, etc. Sabemos que o equilíbrio é um dos segredos do bem viver. O desafio é conseguir o equilíbrio nas diversas situações. A ansiedade faz parte da existência humana no sentido em que somos seres racionais , mortais e precisamos  de amor, sendo que isso tira a possibilidade de nos sentirmos totalmente seguros e livres da ansiedade. Mas se há um desequilíbrio e ela torna-se exagerada, crônica, e paralisa, incapacita e traz sofrimento, é o aviso de que há algo errado. Nesse momento é necessário buscar apoio profissional para análise se a questão pode ser tratada apenas com o tratamento psicológico ou se já atingiu a química cerebral. Quando ocorre esse tipo de questão é preciso diagnosticar o tipo certo de tratamento.
Cada caso irá se adequar a um tipo de intervenção. Os meios mais comuns de tratamento são acompanhamento com Médico Psiquiatra Alopático , Médico Psiquiatra Homeopático, Tratamentos Fitoterápicos, ou outras Terapias como Acupuntura, Reiki, Yoga, etc. O importante é não permanecer no sofrimento. Ter a consciência que existem tratamentos disponíveis. O ritmo acelerado da vida moderna pode conduzir a tais distúrbios. No entanto há como trabalhá-los para que tragam menos conseqüências negativas aos indivíduos.
08-07-10 - 21:03:46 -

A Realidade da Pedofilia

A pedofilia se caracteriza por forte atração sexual por crianças e é uma realidade que não deve ser desconsiderada ou anulada. São várias as formas de violência a que os seres humanos estão expostos tais como sequestros, assaltos, vinganças etc. e a pedofilia faz parte desse rol. Viver escondido por medo de tantos perigos não procede, assim como não ter um olhar crítico a respeito de suas possibilidades indica ingenuidade e negação dos fatos.
Pedófilo é aquele que sente atrações por crianças ditas pré-púberes, ou seja, que estejam na fase anterior à puberdade. O pedófilo tem suas relações interpessoais afetadas por tais desejos, e termina por realizá-los. Não existe causa comprovada para a pedofilia, mas muitos estudos são realizados a partir de exames cerebrais (ressonâncias magnéticas etc.). Existem algumas hipóteses mas nada que seja suficiente para que possamos considerar causa real. No entanto é certo observar que o pedófilo, que é considerado doente, é diferente do oportunista. Existem abusadores que por circunstâncias favoráveis, facilidade de acesso, falta de um parceiro fixo, podem vir a cometer o abuso e são ditos abusadores oportunistas, que relacionam-se com adultos e eventualmente devido às facilidades abusam de menores. É diferente da pessoa caracterizada patologicamente (a pedofilia é considerada uma doença psiquiátrica e consta no CID 10, “Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde”), que tem fantasias e forte atração preferencialmente por crianças.
É papel dos pais efetuar a educação sexual das crianças. Explicar como os bebês surgem, e relatar em linguagem que não seja de baixo calão. A Psicologia orienta que isso deve ser feito à medida em que surgem as perguntas. Os pais devem responder apenas o relativo à pergunta, e não aprofundar no assunto, desde que a criança não peça. Por exemplo, diante de uma pergunta: “de onde vem os bebês?” a resposta objetiva seria: ”da barriga da mãe” e se ela perguntar como foi parar lá dentro, aí sim, deve-se aprofundar um pouco mais na questão. É um erro falar sobre o tema com crianças muito novas, mas à medida que crescem e/ou perguntem sobre o assunto, devem ser orientadas pela família.
A escola também pode ajudar, mas a responsabilidade real é primeiro da família. Em relação à pedofilia, é importante orientar a criança que não deixe em nenhuma circunstância um adulto, mesmo que conhecido, fazer carícias ou tocar principalmente as partes íntimas de seu corpo. Mesmo as crianças mais novas podem ser orientadas, independente de já terem informações ou não a respeito de sexualidade. Basta orientar da mesma forma: não deixe ninguém acariciar você. Caso isso aconteça, comunique imediatamente, etc. Se algum dia seu filho mudar de repente de comportamento, ficar muito agressivo sem motivo aparente, ou quieto demais, ou de alguma forma muito diferente, comece a observá-lo com olhar mais crítico. Ele pode estar sendo vítima de algum tipo de abuso, ou mesmo uma doença como a depressão, ou algo parecido.
A linguagem infantil é diferente da adulta. Revela-se pelo comportamento, e o adulto precisa estar atento para perceber. Sem ficar preocupado em excesso, mas também sem ingenuidades exageradas. Qualquer desses extremos é prejudicial. Pais preocupados demais, tensos, desconfiados e amedrontados, ou pais muito permissivos, totalmente despreocupados e distantes das reações emocionais dos filhos estão equivocados. O meio termo é o necessário não apenas em relação à educação dos filhos, mas a todos os aspectos e papéis desempenhados enquanto indivíduo.
17-06-10 - 18:56:06 -

Uma Questão de Percepção

"As maravilhas do mundo são-nos reveladas
à medida que nos tornamos capazes de percebê-las"

Realmente, é uma questão de percepção. De acordo com as fases de desenvolvimento, a percepção se transforma e acontecem verdadeiros milagres. A criança percebe o mundo a seu modo, assim como o adolescente, o adulto, o idoso. É uma questão de amadurecimento. Por isso em várias culturas o idoso é muito ouvido e valorizado.
Em cada etapa a visão do mundo acontece de uma maneira. Conviver com todo esse universo heterogêneo demanda sabedoria.  Para que as relações sejam de respeito é necessário muita disponibilidade interna, ou seja, intenção verdadeira de se colocar no lugar do outro, entendê-lo um pouco mais sem estar focado apenas em si mesmo e na própria realidade. Tem que haver os limites nas relações. Limites tanto em forma de leis judiciais quanto internos, psicológicos. Muitos adultos tratam as crianças como mini-adultos, o que gera mal entendidos e sérios problemas emocionais nas crianças. Às vezes alguém passa pelo mesmo caminho várias vezes durante anos e após todo esse tempo, num certo dia, descobre uma árvore, ou algum outro objeto antes nunca “visto”. Percebe-o muito depois de vê-lo.
Assim é em cada etapa da vida, e ocorre de maneira diferente com cada ser humano, de forma singular e pessoal.  Podemos fazer um paralelo desse fato em relação à nossa mente inconsciente. A descoberta do inconsciente se assemelha em certo modo a questões sempre presentes, mas nunca percebidas e elaboradas na mente consciente. A percepção surge da disponibilidade interna de observar, do amadurecimento, da inteligência e possibilidade de cada um. E tal abertura determina o grau de envolvimento consigo mesmo e com o mundo ao redor, assim como a possibilidade de fazer escolhas mais adequadas e de maior sucesso. Em sala de aula, embora o professor ensine nas matérias subjetivas o mesmo conteúdo, não há como pensar que todos conseguem escutar da mesma maneira. Muito pelo contrário. Os professores bem sabem disso...
Lembremos também de que as inteligências são múltiplas e portanto a capacidade de absorção é bem variada. Muitos alunos especiais (crianças com patologias relativas ao aprendizado, entre outras deficiências) possuem  dificuldades intelectuais, mas em termos afetivos (parte da inteligência emocional) são exemplo. Ao conviver junto a tais crianças percebe-se o quanto, devido a todos esses fatores, são infundados os preconceitos.  As tendências de moda, a globalização, o tipo de vida das sociedades no tempo atual (comportamentos de massa) geram a sensação de que todos são muito iguais, enquanto na realidade são muito diferentes. A arte, poesia, cinema,  cultura, etc. refletem essa infinidade de possibilidades. A criatividade e a evolução vem daí.
Por tais fatores concluímos também o motivo da  Psicologia ser uma ciência com bases extremamente catedráticas, mas absolutamente adaptáveis a cada ser. Não há receita. Há referências científicas que se adequam a cada situação. Enfim, a frase inicial, em negrito, revela a infinidade de possibilidades e descobertas temos para fazer vivendo nesse planeta. Quem se sente entediado pode mudar o ângulo de percepção e reparar o quanto há para aprender, perceber, observar, descobrir...
03-06-10 - 18:29:21 -

O Perigo dos Casamentos Consangüíneos

O desconhecimento ou falta de percepção do que pode acarretar um casamento consangüíneo faz com que não seja incomum presenciarmos filhos com problemas metabólicos, deformidades físicas e/ou mentais. A união consangüínea, ou seja, entre parentes, principalmente entre pais e filhos, irmãos, primos de primeiro ou segundo grau, tios e sobrinhos etc.  pode acarretar sérios problemas de saúde à prole.
É algo a ser considerado e relevado. Mas o fato não é via de regra. Pode ocorrer de parentes próximos serem casados e os filhos não apresentarem desvios, disfunções ou doenças. Mas a probabilidade não é irrelevante. Podem ocorrer anomalias pela possibilidade de existirem genes recessivos, que precisam estar em dose dupla para que exista no indivíduo a característica a qual determinam. “Para manifestação de uma característica recessiva é preciso receber o gene do cromossomo de origem materna e o de origem paterna. Portanto o efeito nocivo do casamento consangüíneo é aumentar muito as chances de surgirem descendentes afetados por anomalias raras.”
Esse fato possui embasamento genético, científico. Portanto não é prudente que pessoas da mesma família gerem filhos. Essa realidade fica muito explícita ao analisarmos escolas e clínicas que realizam diagnósticos multidisciplinares. O número de crianças filhas de parentes é grande. Na prática observa-se que o fato ocorre nas mais variadas classes sociais. Faltam campanhas educativas que conscientizem sobre as possíveis conseqüências desse tipo de união. É preciso estar sempre lembrando às pessoas o grau de dificuldade que pode acontecer. Há os que sabem existir riscos, mas não conhecem realmente os possíveis problemas, e não consideram o fato como deveriam. A paixão, os desejos, o envolvimento, tudo isso supera a noção do perigo.
Antigamente casamentos consangüíneos existiam para que os bens materiais não fossem repartidos entre outras famílias. São as crianças grandes vítimas desse tipo de problema, assim como as conseqüências para os pais também sejam muito difíceis. Surgem os desafios, as culpas (que nem sempre são pertinentes, pois a falta de noção faz com que aconteçam problemas inimagináveis) e a situação não é fácil. Caso aconteça é necessário que a postura seja de enfrentamento do problema, com os suportes profissionais necessários, mas a prevenção, obviamente, é o mais importante. A natureza incentiva a mistura genética, pois ao contrário a probabilidade de patologias é presente. É necessário que haja misturas entre as famílias. Daí a grande multiplicidade de seres.
São várias as campanhas educativas sobre outros temas realizadas pelo Ministério da Saúde, que  deve alertar para essa demanda real de conduzir as populações à reflexão sobre as relações consangüíneas que são mais comuns do que possamos imaginar..
20-05-10 - 21:36:05 -

Reflexões acerca do Autismo

O dia 2 de abril de 2010 foi a primeira vez em que mundialmente aconteceram reflexões acerca do autismo. A partir de agora em todos os anos a data será destinada a tal tema. Ana Maria S. Ross de Mello escreveu sobre isso e compartilharemos as informações. Segundo ela o autismo é uma síndrome definida por alterações presentes desde idades muito precoces, tipicamente antes dos 3 anos de idade, e que se caracteriza sempre por desvios qualitativos na comunicação, na interação social e no uso da imaginação.
“É muito difícil imaginar estes três desvios juntos. Um exercício que pode ajudar é o proposto em palestra no Brasil pela pesquisadora Francesca Happé, de imaginar-se na China, ou em um país de cultura e língua desconhecidas, com as mãos imobilizadas, sem compreender os outros e sem possibilidades de se fazer entender”. As causas ainda são desconhecidas, embora os pesquisadores tenham a hipótese de origem genética e anormalidades cerebrais como possíveis causas. Segundo Tatiana de Melo Pereira, há uma variação do quadro clínico de leve a moderado e grave, a quadros de autismo de “alto funcionamento”, com significativo potencial intelectual e apenas leves comprometimentos.
O autista apresenta “dificuldade em utilizar com sentido todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal. Isto inclui gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal. Apresenta dificuldade em relacionar-se com os outros, e incapacidade de compartilhar sentimentos, gostos e emoções e na discriminação entre diferentes pessoas. A dificuldade em relação à imaginação se caracteriza por rigidez e inflexibilidade que se estende por várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento. Isso pode ser exemplificado por comportamentos obsessivos e ritualísticos, compreensão literal da linguagem, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos”.
Ana Maria oferece algumas dicas para os familiares de crianças assim diagnosticadas: 1- informe-se ao máximo, entenda a doença de seu filho. 2- permita-se sofrer (respeite seu tempo, mas depois, mãos a obra...) 3- reaprenda a administrar seu tempo 4- saiba exatamente quais são os objetivos a curto prazo de seu filho (por parte dos profissionais que o atendem). Por último evite todos que lhe acenarem com curas milagrosas, atribuírem aos pais a culpa pela doença e profissionais desinformados ou desatualizados. Diante da pergunta: - autismo tem cura? A resposta foi: “ a grande maioria dos estudiosos ainda afirma que não tem cura. Existe um grande número de casos de autistas com nível de recuperação muito satisfatório, muitos deles concluindo um curso superior ou se casando, mas mesmo nestes casos não se fala em cura, pois muito embora algumas pessoas tenham conseguido um desenvolvimento considerado excelente, as  características de autismo permanecem por toda a vida”.
Quanto à inclusão em escola regular, Ana Maria defende que seja feita com muito cuidado. É preciso preparar a criança antes de inseri-la em um contexto muito diferente do universo em que vive. Enfim, após todas essas informações e dicas oferecidas por estudiosos e pesquisadores sobre o assunto, resta-nos perceber que o grande e necessário desafio é oferecer à criança e à família ajuda especializada para que cada um a seu tempo, com suas limitações e potenciais, possam conviver com a situação de forma que tenham o objetivo de vencer pouco a pouco, passo a passo, as dificuldades encontradas, com paciência, aceitação e disposição que vem do amor e da fé, conseguindo assim o  máximo de qualidade de vida para todos.  
Informações técnicas: Mello, Ana Maria S. Ross “ Guia Prático de Autismo”.
22-04-10 - 18:44:35 -

Educação Inclusiva

Ao refletir sobre o papel da escola percebe-se que “a ciência é a base de toda construção do conhecimento acadêmico e a escola comum opera com esse saber universal, produzido e reproduzido em detrimento do saber particular. Ela amplia todo e qualquer conhecimento que o aluno traz da sua experiência pessoal, social e cultural e procura meios de fazer com que o aluno supere o senso comum. A escola tem o dever de não se contentar apenas com o que o aluno já sabe, estimulando –o a prosseguir no entendimento de um fenômeno, ou de um objeto e de torná-lo capaz de distinguir o que estuda do que já sabe em uma ou varias áreas do conhecimento”.“ Mas  acima de tudo, a escola tem a tarefa de ensinar os alunos a compartilharem o saber, os sentidos diferentes das coisas, as emoções, a discutir, a trocar pontos de vista. É na escola que desenvolvemos o espírito crítico, a observação e o reconhecimento do outro em todas as suas dimensões. Em suma, a escola comum tem um compromisso primordial e insubstituível: introduzir o aluno no mundo social ,cultural e científico; e todo o ser humano, incondicionalmente, tem direito a essa introdução”.
A escola comum recebe hoje crianças e jovens especiais, que não possuem a mesma velocidade e padrão de aprendizado da maioria das outras crianças. A isso chamamos de inclusão. Assunto complexo e polêmico, percebe-se a dificuldade da escola regular em receber esse perfil de alunos. Há “resistência institucional que contribui para aumentar e manter a discriminação. Presa ao conservadorismo e à estrutura de gestão dos serviços públicos educacionais, a escola continua norteada por mecanismos elitistas de promoção dos melhores alunos em todos os seus níveis”. Mas a inclusão é uma diretriz pedagógica em todo o mundo. Em países mais desenvolvidos já é uma realidade consolidada de  forma mais adequada,  e é assim que esperamos e desejamos que aconteça conosco, no Brasil. Não faz sentido andarmos na contra mão do mundo, que é todo a favor da inclusão a partir de  bases científicas para que assim seja.
Crianças com dificuldade de aprendizado e algum tipo de deficiência precisam conviver com outras que estejam mais desenvolvidas para que umas possam aprender com as outras. Essa troca é rica e essencial, e é necessário que haja respeito entre todos. Ao contrário do que muitos pensam, não são salas homogêneas, e sim, salas com faixas etárias semelhantes nos vários níveis do processo de conhecimento que conduzem a diferentes possibilidades de acesso ao conhecimento. O momento histórico atual solicita das famílias, crianças e adolescentes em situação de inclusão muita força, coragem e determinação, pois é através de suas  demandas que ocorrerão transformações nas escolas e nas pessoas.
Houve em Caeté no início desse ano um projeto realizado pela Escola “Senhora do Bonsucesso” cujo objetivo foi trabalhar o tema “Inclusão”. A Escola foi bastante elogiada pela qualidade do evento realizado. Os ajustes e mudanças que se fazem necessários para que ocorra o melhor às crianças e adolescentes virão de acordo com as demandas surgidas dentro da escola e nas vidas dessas crianças e famílias. Muitas transformações e conquistas históricas ocorreram a partir de indivíduos que em determinados momentos foram pioneiros em causas advindas de ideologias maiores, como essa, de uma educação que seja realmente inclusiva.
Citações: ” Educação Inclusiva – Atendimento Educacional Especializado para Deficiência Mental” – Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial.
08-04-10 - 17:23:50 -

O Trabalho da Secretaria Municipal de Assistência Social em Caeté

Receber para atendimento criança que, na ausência dos pais foi institucionalizada em determinada cidade do Estado de Minas Gerais remeteu-me à reflexão de como tem sido feito esse tipo de trabalho em Caeté e em outras cidades. Em Caeté existe a Casa de Passagem que, como já citei em outro artigo escrito para o Jornal Acontece, acolhe em caráter excepcional crianças e adolescentes de zero a 17 anos e 11 meses vítimas de abandono e outras violações graves com parâmetros de funcionamento baseados em legislações que regem as políticas sociais. Há profissionais como Assistente Social, Psicólogo Social, Coordenador, entre outros. É realizado trabalho bastante diferente do antigo modelo de instituição baseado nos moldes da antiga “Febem”, que era para grandes grupos e um tanto impessoal.
O que entristece é que outras cidades do nosso país recebem orientação legal e verba para implantar a mudança no sistema mas na verdade isso não ocorre. Muda-se o nome mas na prática pouco é transformado. Em nossa cidade a mudança realmente ocorreu e está aí para quem tiver interesse e visão para enxergar. Outro serviço oferecido pelas Secretarias de Assistência Social em nosso país são os Cras, Centros de Referência de Assistência Social, que prestam serviços às comunidades que apresentam maior vulnerabilidade social em seus próprios territórios.
Aqui em Caeté há Cras no Bonsucesso, São Geraldo e Rancho Novo (tais Cras cobrem vários outros bairros visinhos) e as outras regiões se encontram na responsabilidade direta da própria Secretaria. Cada Cras conta com uma equipe de profissionais tais como Psicólogos, Assistentes Sociais, Instrutores Sociais, entre outros. Assim como no exemplo citado acima, os Cras também deveriam funcionar pelo Brasil atendendo as famílias para preservar e promover seus direitos, e o que podemos observar é quão precariamente o sistema é oferecido em vários territórios, quando analisados tendo como referência os de Caeté.
Muitos outros serviços são oferecidos pelas Secretarias Municipais de Assistência Social ao longo de nosso país e não é nada fácil nem simples a implantação dos programas. Não há como executá-los sem muito trabalho e esforço, lembrando que essa construção é realizada por seres humanos e portanto não será isenta de desafios profundamente expressivos. Apenas com persistência dos programas, boas referências técnicas e fortes intenções e crenças nas realizações é possível, aos poucos, evoluir e desenvolver realmente um bom trabalho. Presenciamos em Caeté o empenho de melhorar cada vez mais, embora a dimensão dos desafios seja incalculável para quem não esteja inserido no dia a dia.
Citamos a Casa de Passagem e os Cras, mas o leque é amplo e são muitos os serviços oferecidos. Quando os programas de nossa cidade buscam outras referências (outras cidades) para parâmetros de avaliação percebe-se que há muito a ser feito, mas já existe um saldo bastante positivo pois muitas são as realizações da Secretaria, sempre alvo de observações e expectativas por parte da comunidade em geral. Diante da vislumbrada mudança positiva na arrecadação tributária de Caeté o interesse da comunidade geral é de que a crença na relevância do trabalho social conduza a condições de desenvolvimento cada vez melhores. Lembrando que há muito a fazer, mas muito já foi feito. É preciso esse reconhecimento para que se fortaleçam os ideais e as metas de grandes e novas realizações.
11-03-10 - 19:29:03 -

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